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Café: da semente à xícara
Antes de ser bebida, o café é uma semente dentro de um fruto vermelho, a cereja. Quase tudo que sentimos na xícara nasce depois da colheita.
Duas espécies, dois perfis
O arábica (Coffea arabica) responde por boa parte da produção de qualidade. Ele é mais doce, com acidez mais viva e aromas florais ou frutados, mas exige altitude, clima ameno e mais cuidado no cultivo. O robusta (Coffea canephora) é mais resistente a pragas e calor, tem mais cafeína e um sabor mais encorpado, às vezes amargo.
Colheita e beneficiamento
A colheita pode ser manual, seletiva, só com os frutos maduros, ou mecanizada, que colhe tudo de uma vez. Depois vem o beneficiamento: por via seca, a cereja seca inteira ao sol; por via úmida, a polpa é retirada e a semente fermenta em tanques antes de ser lavada. Os dois caminhos mudam o sabor final.
A torra
Verde, o grão tem cheiro de feno e quase nenhum aroma de café. Na torra, açúcares e aminoácidos reagem (reação de Maillard) e formam centenas de compostos aromáticos. Torra clara preserva acidez e notas florais; torra escura traz amargor, corpo e notas de chocolate, com menos da origem.
Moagem e extração
Moer na hora faz diferença: o aroma dos grãos se perde rápido depois que são quebrados. A moagem deve combinar com o método. Grão fino pede extração curta, como no espresso; grão grosso pede mais tempo de contato, como na prensa francesa. Água a cerca de 92 °C costuma extrair bem sem queimar o café.